Um Jeito Certo de Ver um Vegetal (por - A)
Os
raios de sol, já do fim da tarde, tocam o verde fosco das folhas dessa árvore, deixando-o
muito mais verde, muito mais vivo, porém o verde do lado esquerdo, inferior, é
mais claro, o que não quer dizer que seja mais jovem pois, estão em companhia e
seguindo o caminho das folhinhas mais
antigas, no seu respeitoso tom dourado seco. Os vários galhos que sustentam as folhas entrelaçam
entre si na maior intimidade, como uma família que apóia , sustenta. Não tem um galho reto sequer. Todos os galhos
são irregulares, diferentes, dificilmente um é igual ao outro. Uns mais curtos
e finos outros mais longos e grossos ou
vice e versa. Uns ainda em formação enquanto alguns já estão no toco,
quebrados, pela metade. Mas todos esses galhos têm uma coisa em comum, o
marrom. Não qualquer marrom, mas aquele marrom, sabe? Nem tão claro, nem tão
escuro. O mais incrível vem agora, o sol está se retirando, a árvore continua
ali, mas de uma forma totalmente diferente, os raios que a tocam agora têm
cores que refletem nela e, é como se colocasse seu vestido mais bonito e
dançasse nessa beleza de céu quando vem o pôr do sol. Até mesmo as folhinhas já
mais velhas, ficam mais alegres, diria até que sorriem. Mas não dura mais que
alguns minutos.
O tronco não é muito grande. Não chega a ser maior que o muro
de casa, mas mesmo pequeno é ele que sustenta todo o resto. Chegado um certo
ponto acaba o tronco, que aliás é a
única parte reta dessa árvore, e os galhos mais grossos, um pouco menos que o
tronco, abrem-se em forma de “v”, mas
não um só, são três assim. E conforme vai subindo, afinando a quantidade de “v”
duplica, triplica...o musgo e as cascas que saem fácil, revelam sua idade já
avançada, mas como afirmar que a idade
já é avançada, se têm tantas outras por aí mais velhas e inteironas ainda?
Essa
árvore, não dá fruto, mas todo outono ela despeja aos montes, forrando o chão, aquelas
florzinhas amarelas, cheias de néctar. Muita gente tem é raiva delas, porque
não tem coisa melhor pra grudar no sapato da gente. Ah! E os velhinhos não se
cansam de varrê-las da calçada. Caem dela, também, aqueles cascalhos que as
crianças adoram (adultos também não resistem) pisar pra ouvir o crec-crec que
faz.
O ápice da árvore convive com os fios do poste da rua. E dividem também,
além do espaço, a pousada dos passarinhos, ora voam pro fio, ora fazem palco
dos galhos no qual expõem toda manhã, e ao final da tarde uma cantoria
melodiosa que encanta até o vizinho mais rabugento. Quando cai a noite, toda essa cor e,
vivacidade da árvore dá lugar à sombra. Ela se assemelha a todas as outras
árvores. Descansa sua beleza, para no outro dia, começar tudo novamente.
- A
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