sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Um Jeito Certo de Ver um Vegetal (por - A)


Os raios de sol, já do fim da tarde, tocam o verde fosco das folhas dessa árvore, deixando-o muito mais verde, muito mais vivo, porém o verde do lado esquerdo, inferior, é mais claro, o que não quer dizer que seja mais jovem pois, estão em companhia e seguindo o caminho  das folhinhas mais antigas, no seu respeitoso tom dourado seco.  Os vários galhos que sustentam as folhas entrelaçam entre si na maior intimidade, como uma família que apóia , sustenta.  Não tem um galho reto sequer. Todos os galhos são irregulares, diferentes, dificilmente um é igual ao outro. Uns mais curtos e finos outros mais longos e grossos ou  vice e versa. Uns ainda em formação enquanto alguns já estão no toco, quebrados, pela metade. Mas todos esses galhos têm uma coisa em comum, o marrom. Não qualquer marrom, mas aquele marrom, sabe? Nem tão claro, nem tão escuro. O mais incrível vem agora, o sol está se retirando, a árvore continua ali, mas de uma forma totalmente diferente, os raios que a tocam agora têm cores que refletem nela e, é como se colocasse seu vestido mais bonito e dançasse nessa beleza de céu quando vem o pôr do sol. Até mesmo as folhinhas já mais velhas, ficam mais alegres, diria até que sorriem. Mas não dura mais que alguns minutos.
O tronco não é muito grande. Não chega a ser maior que o muro de casa, mas mesmo pequeno é ele que sustenta todo o resto. Chegado um certo ponto  acaba o tronco, que aliás é a única parte reta dessa árvore, e os galhos mais grossos, um pouco menos que o tronco, abrem-se em  forma de “v”, mas não um só, são três assim. E conforme vai subindo, afinando a quantidade de “v” duplica, triplica...o musgo e as cascas que saem fácil, revelam sua idade já avançada, mas como afirmar que  a idade já é avançada, se têm tantas outras por aí  mais velhas e inteironas ainda?
Essa árvore, não dá fruto, mas todo outono ela despeja aos montes, forrando o chão, aquelas florzinhas amarelas, cheias de néctar. Muita gente tem é raiva delas, porque não tem coisa melhor pra grudar no sapato da gente. Ah! E os velhinhos não se cansam de varrê-las da calçada. Caem dela, também, aqueles cascalhos que as crianças adoram (adultos também não resistem) pisar pra ouvir o crec-crec que faz. 
O ápice da árvore convive com os fios do poste da rua. E dividem também, além do espaço, a pousada dos passarinhos, ora voam pro fio, ora fazem palco dos galhos no qual expõem toda manhã, e ao final da tarde uma cantoria melodiosa que encanta até o vizinho mais rabugento.  Quando cai a noite, toda essa cor e, vivacidade da árvore dá lugar à sombra. Ela se assemelha a todas as outras árvores. Descansa sua beleza, para no outro dia, começar tudo novamente. 

- A

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