Devaneios Literários e
Libertários
Muito
mais do que uma obra literária...início de um movimento libertador! O conteúdo
realista presente no livro "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, é
uma completa revolução literária. Aborda a condição da mulher sobre a qual pesa
mais a crueldade, as convenções sociais, impedindo que viva plenamente seus
sentimentos. A narrativa na terceira pessoa, de origem francesa, contém 360
páginas, tradução a partir de texto integral, apresentações e notas de Fúlvia
M. L. Moreto. Publicado no ano de 2007 pela Editora Nova Alexandria - São
Paulo. A personalidade literária de Gustave Flaubert (1821- 1880), dotada de
agudo senso crítico que o distanciou do exaltado gosto romântico da época,
levou-o a tornar-se um dos maiores prosadores da França no século XIX. O romance
"Madame Bovary" é a sua obra-prima. Baseado em fatos da vida real, o
livro, que Flaubert levou cinco anos para escrever, causou forte impacto, a
ponto de gerar o processo no qual o autor escapou de ser condenado à prisão,
graças à habilidade da defesa, que transformou a acusação de imoralidade na
proclamação das intenções morais e religiosas do autor. Nem moral, nem imoral,
a narrativa é uma devastadora crítica das convenções burguesas do seu tempo. A
narração parte de uma experiência do escritor, médico de profissão, escritor
por vocação que estando em Rouen, perto de Paris, toma conhecimento do suicídio
de uma jovem senhora, que depois de ter levado o marido à ruína ingere arsênico
e falece. Flaubert esteve durante oito anos pesquisando a vida desta senhora e
como requer o romance realista, em posse de dados muito próximos da realidade
escreve este romance. Ele divide o texto em três partes. A primeira conta a
hist´pria de Charles Bovary, primeiro sua infância, logo depois, rapaz,
formando-se em medicina e passa a ser médico rural, é um homem inseguro,
medíocre, culturalmente limitado, mas correto e de bom coração. Passa por um
casamento, com uma mulher mais velha, ela morre. Emma,entra em sua vida,
casa-se com ele e fica grávida. Na segunda parte, temos a apresentação de Emma,
agora Emma Bovary, é mais concisa, o seu processo de formação e degradação está
centrado no choque entre a essência e a aparência. Uma jovem bonita e
requintada para os padrões provincianos, nem o nascimento da filha trás alegria
ao entediante casamento. Ela se sente presa e, distante da sociedade
alta-burguesa, vivendo em uma região interiorana, cada vez mais, vê sua vida
medíocre, monótona, inspirada nos romances românticos que lia procura rotas de
fuga de sua realidade. Ela quer sempre mais. Mesmo que esse mais, seja
proibido. É onde começa a trama da história, o tema interno, focado no
adultério, a vivência de seus desejos, a insatisfação na vida da personagem
principal, O autor por sua vez, fez através de seu romance uma crítica ao clero
e à burguesia da época. Na terceira e última parte, Emma Bovary chega ao ápice
de sua histeria, se funda em dívidas e problemas. Flaubert, descreve
precisamente o agonizante desfecho da personagem ao cometer suicídio. Disse
Flaubert: "Quando eu escrevia sobre o envenenamento de Madame Bovary, eu
tinha claramente o gosto do arsênico na boca, eu mesmo estava tão envenenado
que tive duas indigestões, uma seguida da outra - reais..."(A hippolyte
Taine - 20/11/1866). ao longo do tempo, Madame Bovary tornou-se uma obra de
grande influência para todas as mulheres do mundo todo, na luta pela sua
liberdade e conquista pelos mesmos direitos. Mostrando que toda mulher pode ter
seu espaço dentro da sociedade como vêm acontecendo nos dias de hoje. Mais que
uma história, foi, e ainda não deixa de ser, uma conquista libertária,
liberdade de expressão, de vontades, sentimentos, padrões e, principalmente
literária.
- A
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